
Vestígios do Silêncio
Essa coleção não começou com uma ideia clara.
Começou com pausas.
Com o tempo desacelerando dentro do ateliê,
com a tinta encontrando caminhos que não foram planejados,
com a insistência em permanecer mesmo quando nada parecia acontecer.
As primeiras telas surgiram assim —
em silêncio, sem urgência de resultado.
Mais como um processo de escuta do que de construção.
Há algo na matéria que não pode ser controlado completamente.
Quando a água encontra a tinta, quando as camadas se sobrepõem,
quando o gesto cede espaço para o tempo,
a pintura começa a revelar o que quer ser.
Essa coleção nasce desse lugar.
De um intervalo entre intenção e entrega.
De um estado onde a forma ainda não está definida,
mas já começa a existir.
Algumas obras parecem paisagens.
Outras, apenas vestígios.
Nenhuma delas busca ser explicada por completo.
Talvez porque nem tudo precise ser nomeado.
Algumas coisas apenas permanecem.







